quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Visita ao Acampamento MST - Emiliano Zapata



O objetivo dessa saída era justamente observar a vida em uma comunidade, sua forma de organização, como é feita a divisão de trabalho, qual a hierarquia existente no acampamento, como eles conseguem contornar as dificuldades existentes, como eles fazem a divisão dos lucros, qual a função da comunidade na educação e claro conhecer um pouco da rotina de cada um, dos aspectos de trabalho que temos em comum e do que nos diferencia em uma Economia Solidaria.
Mesmo por se tratar de uma atividade fora do horário normal das aulas, muitos alunos compareceram, e estes interagiram de maneira positiva entre as duas escolas. Principalmente os alunos da escola Edgar, os quais se mostraram mais interessados em conhecer seus colegas, fazendo mais perguntas e buscando semelhanças entre as escolas.
O acesso ao acampamento ocorre de forma tranquila, mesmo que parte do percurso seja por uma estrada de terra, a mesma encontra se em boas condições, o que nos diz o que o escoamento da produção pode ser feito sem maiores dificuldades.  
Ao chegar no Acampamento, a primeira impressão foi de abandono, tanto que inicialmente acreditávamos que o local não era aquele, a área comum, onde se localiza um galão de atividades, sala de reunião, banheiros estão totalmente abandonados, aparentemente ninguém é responsável pelo zelo do local.
Fomos recepcionados pelo Célio Rodrigues, que representa ser um dos lideres do acampamento e mais 3 moradores. Reunimos-nos em uma sala, na qual o Célio fez um resumo do que é a agricultura de subsistência, da importância da agricultura familiar para toda sociedade, do monopólio dos grandes produtores,dos motivos que iniciaram o movimento na década de 80 e suas reivindicações, onde a luta voltada não é só para o alcance dos direitos no campo, mas também da construção da ideia de reforma agrária como uma forma de modificar a estrutura da propriedade da terra, entendendo-a como um caminho à justiça social.
Célio demonstrou o alto conhecimento que tem não só da historia do movimento, como também do conhecimento que tem pelas leis voltadas a agricultura e do processo de reforma agrária, porem sua visão doutrinada sem abertura para uma opinião contraria ao seu posicionamento. O que me levou a trabalhar em sala a importância de se conhecer todos os fatos de um noticia, de uma ideia, justamente para que possam aprender a tomar suas posições com conhecimento e não por algo que é imposto subliminarmente.
Infelizmente não pudemos atingir o nosso objetivo principal, que era justamente observar uma comunidade trabalhando para um bem comum, pois o que observamos lá é que cada um já tem sua área determinada para plantio e cada um responsável apenas pela sua produção, mesmo a venda sendo feita de maneira coletiva, cada um recebe o valor referente a venda de seu produto.
Muitos alunos comentaram seu desapontamento ao não terem tido a oportunidade de ver as áreas de cultivo, já que nossa visita ficou restrita a área comum e a casa de uma militante, a qual nos recebeu de forma acolhedora. Ficamos sem saber como foi distribuída as terras entre eles e como é definido os seus cultivos, visto que cada tem sua própria produção.
Mesmo assim a saída foi vadia, primeiramente para a interação entre as duas escolas e também para que eles pudessem ver outras realidades e principalmente puderam ver que para participar de um movimento é preciso ter um conhecimento dos seus ideais, de suas lutas, viram o quanto é importante estudar, que mesmo em uma comunidade agrária, o conhecimento torna-se uma ferramenta. 

 Prof. Rosélia de Lourdes Ribeiro


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