O objetivo dessa saída era justamente
observar a vida em uma comunidade, sua forma de organização, como é feita a
divisão de trabalho, qual a hierarquia existente no acampamento, como eles
conseguem contornar as dificuldades existentes, como eles fazem a divisão dos
lucros, qual a função da comunidade na educação e claro conhecer um pouco da
rotina de cada um, dos aspectos de trabalho que temos em comum e do que nos
diferencia em uma Economia Solidaria.
Mesmo por se tratar de uma atividade fora do
horário normal das aulas, muitos alunos compareceram, e estes interagiram de
maneira positiva entre as duas escolas. Principalmente os alunos da escola
Edgar, os quais se mostraram mais interessados em conhecer seus colegas, fazendo
mais perguntas e buscando semelhanças entre as escolas.
O acesso ao acampamento ocorre de forma
tranquila, mesmo que parte do percurso seja por uma estrada de terra, a mesma
encontra se em boas condições, o que nos diz o que o escoamento da produção
pode ser feito sem maiores dificuldades.
Ao chegar no Acampamento, a primeira
impressão foi de abandono, tanto que inicialmente acreditávamos que o local não
era aquele, a área comum, onde se localiza um galão de atividades, sala de
reunião, banheiros estão totalmente abandonados, aparentemente ninguém é
responsável pelo zelo do local.
Fomos recepcionados pelo Célio Rodrigues, que representa ser um dos
lideres do acampamento e mais 3 moradores. Reunimos-nos em uma sala, na qual o
Célio fez um resumo do que é a agricultura de subsistência, da importância da agricultura familiar para toda sociedade, do
monopólio dos grandes produtores,dos motivos que iniciaram o movimento na
década de 80 e suas reivindicações, onde a luta voltada não é só para o alcance
dos direitos no campo, mas também da construção da ideia de reforma agrária
como uma forma de modificar a estrutura da propriedade da terra, entendendo-a
como um caminho à justiça social.
Célio demonstrou
o alto conhecimento que tem não só da historia do movimento, como também do
conhecimento que tem pelas leis voltadas a agricultura e do processo de reforma
agrária, porem sua visão doutrinada sem abertura para uma opinião contraria ao
seu posicionamento. O que me levou a trabalhar em sala a importância de se
conhecer todos os fatos de um noticia, de uma ideia, justamente para que possam
aprender a tomar suas posições com conhecimento e não por algo que é imposto
subliminarmente.
Infelizmente não
pudemos atingir o nosso objetivo principal, que era justamente observar uma
comunidade trabalhando para um bem comum, pois o que observamos lá é que cada
um já tem sua área determinada para plantio e cada um responsável apenas pela
sua produção, mesmo a venda sendo feita de maneira coletiva, cada um recebe o
valor referente a venda de seu produto.
Muitos alunos
comentaram seu desapontamento ao não terem tido a oportunidade de ver as áreas
de cultivo, já que nossa visita ficou restrita a área comum e a casa de uma
militante, a qual nos recebeu de forma acolhedora. Ficamos sem saber como foi
distribuída as terras entre eles e como é definido os seus cultivos, visto que
cada tem sua própria produção.
Mesmo assim a
saída foi vadia, primeiramente para a interação entre as duas escolas e também
para que eles pudessem ver outras realidades e principalmente puderam ver que
para participar de um movimento é preciso ter um conhecimento dos seus ideais,
de suas lutas, viram o quanto é importante estudar, que mesmo em uma comunidade
agrária, o conhecimento torna-se uma ferramenta.
Prof. Rosélia de Lourdes Ribeiro
Prof. Rosélia de Lourdes Ribeiro

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